quinta-feira, 13 de junho de 2013

Onde Está o Poder de Deus?

            Onde está o poder de Deus?
            O evangelismo atual adota um sistema simples e frutífero: o mercadológico. Ele diz que as pessoas vão comprar produtos que ou lhe sejam necessários (comida, roupa, casa) ou que o produto se torne necessário (tecnologias, entretenimento...).  Mas quando eu olho para o livro de Atos vejo um sistema diferente. Um sistema chamado evangelho.  
            Na realidade, o evangelho é muito parecido com o sistema mercadológico: ele também oferece algo que as pessoas precisam. A diferença é que ela não querem. Segundo Leonard Ravenhill, o evangelho foi experimentado, estudado e rejeitado por aqueles que deveriam aceitar.
            Outra diferença do evangelho é como é apresentado: se na publicidade a propagando positiva é a alma do negócio, o evangelho é escandaloso porque expõe todos os pecados, erros, malignidades da pessoa que é exposta a ele. Tanto é que na primeira pregação, o texto de Atos disse que muitos que ouviram ficaram com o coração compungido.
            O engraçado é que imaginamos que isso que eles sentiram foi algo do tipo emocional, triste, choroso, tristonho ( Atos 2: 37). Mas o termo original para o que eles sentiram naquele momento é algo muito incomum de se ouvir: vem do grego katanusso: perfurar completamente, agitar violentamente. Não foi um simples sentimento. O poder daquela mensagem abalou estruturas muito mais profundas. Creio que foi nesse sentido que escritor de Hebreus escreveu ao falar que a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes, que penetra até a divisão da alma e espírito, juntas e medulas, é apta para discernir pensamentos e propósitos do coração (Hebreus 4: 12).
            E quando Paulo e Silas foram presos em Efésios? Terra tremeu, cadeias foram abertas...e o carcereiro, que estava dormindo, foi acordado para uma realidade assustadora: ele precisava ser salvo.
            Comecei um curso teológico (a distância, teologia básica). O primeiro módulo foi o estudo dos atributos de Deus. Bem, é de se imaginar que vá falar de Deus. Mas logo no primeiro capítulo fui simplesmente bombardeado por ensinos filosóficos, teístas, científicos, que se propunha a provar a existência de Deus. Nenhum versículo bíblico.
            Eu poderia enumerar muitas questões em relação a falta de bíblia em nossas igrejas, mas acho que seria tornar superficial um assunto que merece muito mais do repreensões e acusações a uma igreja que caminha a passo largos ao esfriamento do amor. Sinceramente, há muito, muito tempo não vejo conversões verdadeiras, do tipo que aconteceu em Atos. Mas há exceções.
            Estes dias ouvi um novo convertido da nossa igreja local testemunhando, fora do culto, no happy hour gospel. É lindo demais. Uma pessoa que reconhece a grandeza de Deus face a sua mediocridade, alguém que se sente amado por um Deus que tinha todos os motivos para abandoná-lo. Ele me disse: Sabe o que é você sentir algo que você não sabe explicar? Mas sentir de tal forma que isso é real? Como se algo tivesse brotando aqui de dentro?. Eu disse: Sei. Claro que eu sei. Mas a minha pergunta é: porque não me sinto mais assim?
            Ah, mas novo convertido é assim mesmo...a gente amadurece...Começo a entender que este é o engodo de Satanás que tem levado muitos crentes a uma frieza tão grande na igreja que muitos não percebem porque há falta de fogo do Espírito Santo. Pergunte a pinguim se está frio e ele dirá que está normal.
            Me senti um cubo de gelo perto do irmão. Estou cada mais crente de que a “temperatura” espiritual de um cristão se deve completamente do seu entendimento sobre a graça de Deus, seu amor, sua obra, do que necessariamente basear-se apenas em experiências ou só em conhecimento. Ele não é homem de grandes conhecimentos ou experiências espirituais. Mas diante da graça de Deus ele apenas sabe que Deus o ama. Sim, precisamos crescer e amadurecer, mas não no crescimento em si ou no amadurecimento em si, mas no conhecimento e graça de Jesus! (II Pedro 3: 18).
            Quando olho o livro de Atos não vejo somente pessoas oprimidas, necessitadas. Vejo pessoas comuns que estavam em lugares comuns na sua vida mas que pelo poder da palavra e do testemunho dos apóstolos foram mudadas de forma total.
            Sabe o que é pior? É que muitos, ao ficarem perto de tochas vivas como esse irmão são capazes de desdenhar e dizer: Benção, é bom ouvir histórias de vez em quando...ou...Novo convertido, um dia ele aprende... Sou capaz de dizer que naquele momento todo conhecimento possível das Escrituras somente são poderosas na vida de pessoas assim: cientes presença e graça de Deus.
            O evangelho não é comercial de margarina. Muito menos de pasta de dentes ou de algum plano de seguro. É poder de Deus. Eu não estou falando que de andar por aí falando em línguas estranhas ou se tornar alucinado por experiências; muito menos de se encher de conhecimento. Deus sabe a estrutura de cada um. Amo ler histórias de grandes homens e mulheres de Deus, mas aprendi a não me medir por eles. Isso é muito pouco diante daquele a qual todo joelho um dia se dobrará e toda língua confessará.
            A saída? Voltar às escrituras. Mas já não vamos a elas todas as terças, quintas, sábados e domingos? Se pelo menos houvesse exposição e pregação bíblica, talvez. Mas se elas fossem bíblicas produziriam crentes bíblicos, coisa que não posso afirmar com clareza. Mas posso dizer que muitas das mensagens que ouvimos por aí carecem de poder de Deus.
            Não um poder pirotécnico de pulos, saltos ornamentais ou frases de efeito. Falo de pregações que nos motivem a orar mais, buscar mais. Na última aula teológica, o pastor indagou como levar o povo a orar. Muito se falou de estratégia. Bem, para os apóstolos bastou a promessa do revestimento de poder. Isso não nos é suficiente, ou nos achamos superior a eles?

            

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Como está o seu coração?


            Fazia algum tempo que eu não parava para olhar um pouco de televisão. Fiquei quinze minutos, tentando olhar um jornal. O que vi foi um conjunto de noticias no mínimo terrível, desde assaltos, acidentes, a pedofilia. Tudo horrível. Mas o que me chamou a atenção foi um detalhe que passa despercebido por quem costuma sempre olhar televisão: a forma grosseira de manipulação que visa simplesmente anestesiar os telespectadores.
            Cada noticia é passada em no máximo dois minutos, onde o apresentador (que virou moda também ser comentarista) apresenta sua visão dos fatos em trinta segundos, demonstrando repudio ou raiva, para logo depois ir para outra noticia pior ainda para depois falar de futebol. Você pode dizer: “É por causa do tempo, tudo é corrido, ainda mais na televisão”. Entretanto, a massificação de informações ruins acaba nos tornando insensíveis ao mal, a maldade. Ou seja, um povo (digo os evangélicos) que já não gosta de ler bíblia, o que gera uma total insensibilidade ao pecado, se fomenta de noticias mais ruins ainda, criando uma geração que posso chamar de Geração Coração de Pedra.
            Em Ezequiel 36: 26 há essa promessa sobre o derramamento do Espírito, onde Deus promete nos dar um coração novo, tirando o coração de pedra por um coração de carne. Coração de pedra é simplesmente um coração amortecido pelo pecado a ponto não conseguir discernir entre o bom e o mal, o que é santo e o que é profano. Um termo que também é semelhante é o coração duro (Isaías 46: 12).
            Irmãos, espiritualmente, a diferença entre o bem e o mal não é simplesmente o certo e o correto, aquilo que parece digno de aprovação ou de reprovação. Em síntese, o mal habita em nós (Mateus 15:19). Não, irmão, eu sou puro de coração, sou lavado no sangue de Jesus, o mal não habita em mim! Bem, se você pensa assim, quero lhe dar os parabéns! É serio, aliás, acho melhor você estar preparado, porque logo Deus vai te recolher!
            Tá repreendido! Amarrado! Amordaçado! Em nome de...
            Irmãos, o único fato de estarmos vivos ainda, crentes ou não, é a misericórdia de Deus, que se renova a cada manhã (Lamentações 3: 22). Mesmo nós, crentes, que julgamos sermos sal desta terra, somos ainda influenciados pelo pecado que habita em nós (Romanos 7: 20). Creio que a única diferença entre nós e os ímpios é que temos o Espírito Santo dentro de nós. A bíblia diz que ele é nosso penhor (II Coríntios 1: 22; 5: 5). Mas, por acaso, você já pesquisou ou tem ideia do que significa penhor?
            Do original, grego, (ἀρῥαβών arrhabon), penhor é uma promessa, ou seja, parte do dinheiro de compra ou imóvel dado antecipadamente como garantia para o resto. No linguajar popular, é o objeto de valor que deixamos como garantia de pagamento, geralmente na forma de contrato. Existiam (e ainda existem por aí), casa de penhores, onde você conseguia um determinado valor para ser pago depois, deixando sempre um objeto de valor maior, um anel, por exemplo.
            O fato de termos o Espírito Santo nos sela como filhos de Deus. Mas não retira de mim a responsabilidade de andar conforme o contrato, ou seja, em relação à bíblia. O fato de ter dons (dados gratuitamente pelo Espírito) não significa que eu posso usá-los da maneira como eu quero. A arca da aliança, que era a simbólica presença de Deus no meio de Israel não era garantia de sucesso, não se a lei não fosse cumprida em todos os seus requisitos. Foi por isso que aconteceu o fato lamentável durante a incursão de Davi ao tentar trazer a arca de volta a Jerusalém (II Samuel 1: 1 a 7). Não era qualquer um que podia levar a arca. E nós, que possuímos o Espírito de Deus, a presença, o penhor, como nós também não deveremos nos preocupar com a maneira que temos levado a arca?
            Irmãos, a arca da aliança foi roubada pelos Filisteus. Durante anos, no reinado de Saul, ninguém se lembrava da arca. Mas ela era a marca da presença de Deus no meio de Israel. Somente quando Davi se levantou como rei foi-se instituído novamente o culto a Deus. A minha pergunta, que faço a mim mesmo é: será que a glória de Deus na minha vida não tem sido vilipendiada, isto é, desprezada por mim?
            O que isso tem a ver com o jornal? O que isso tem a ver com a televisão? Tudo. Não só com a televisão, como com a internet, telefone, emprego, amigos, família. A maneira como me relaciono com tudo ao meu redor, como cristão, deve ser reflexo da maneira como eu me relaciono com Deus. Não estou fazendo um convite a uma vida tola, de total e completa separação do mundo (nem Jesus pediu isso, na oração sacerdotal de João capítulo 17). Eu instigando a você a ser perguntar: o que meu coração sente ao ver o mal? O que meu coração sente ao pecar?
            Temos que entender que ainda que lei tenha sido abolida, os sacrifícios tenham  sido feitos de maneira perfeita, completa e eterna em Cristo, os princípios espirituais da lei do Senhor continuam inalteráveis. Deus ainda é santo. E nós? Como estamos?
            Perceba que não estou dizendo que olhar isso ou aquilo é pecado. Deus nos deu Seu Espírito para que pudéssemos andar de tal forma que, ainda que eu não conheça de maneira completa e perfeita a sua lei, no meu coração de carne há a sensibilidade de saber o que eu posso e que não devo fazer, falar, ver, tocar, pensar, sentir, buscar. E isso, amados, só pode ser vivenciado pelo continuo crescimento de conhecimento das escrituras e na oração. Não só escrituras, não só oração, mas oração e palavra (Atos 6: 4).
            Amado (a) lhe faço-lhe um convite: reflita ao saber de uma noticia ruim, ao ouvir uma palavra maldosa, ter um pensamento ruim, dizer uma palavra que saiu de você e sabe que foi má. Pense qual o impacto que há em você, no seu coração. Eu não estou lhe dizendo para diferenciar se é bom ou ruim. A pergunta é: você ainda consegue ouvir a voz do Espírito? Ou será que nosso coração está amortecido pelo pecado?
            Reflita. Pense. Busque a Deus. Talvez o avivamento que estamos pedindo não venha de um coração de carne como o seu.
           
           

            

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Bíblia não é Suficiente?


            Há uma propagação dentro das igrejas evangélicas no Brasil que técnicas sociais, culturais, cientificas, psicológicas, administrativas, motivacionais, podem e devem ser usadas ombreando a edificação da igrejas em todos os seus setores, desde a área do ensino até questões administrativas, como a tesouraria. É mais comum vermos em seminários pastorais e congressos a exposição de recursos motivacionais de empresas do que a exposição das escrituras, ou quando muito, uma visão bastante estranha àquelas que vemos nas cartas de Paulo a Timóteo, consideradas pastorais, concernente a vida de um líder cristão.
            Deixe-me ser mais claro: acho que utilizar qualquer recurso que não possua no mínimo princípios bíblicos é algo humano, carnal e extremamente destrutivo. Dentre as ciências humanas que mais tem entrado nas igrejas, destaco a psicologia .
            Dentro da psicologia, vemos cada vez mais um conhecimento humano, numa espécie de adestramento mental, onde mensagens baseiam sua estrutura numa exposição da psique dos ouvintes, através de detalhamentos de seus problemas, sendo de ordem social (a pobreza, falta de dinheiro, recursos escassos ou falta de expectativas), emocional (problemas familiares, de relacionamentos), de ordem intrapessoal, (como a baixa autoestima) físicas (doenças, vícios). Esse recurso, chamado por muitos de “pontes” trazem às mensagens um cunho muito pessoal, inteligente, simétrico e extremamente produtivo.
            Como consequências, os ouvintes se sentem compreendidos, e ficam mais abertos a uma pregação, que geralmente oferece a religião como uma solução de seus problemas anteriormente tratados. Vejo dois grandes problemas:
            O primeiro é basicamente herético. As escrituras nunca buscaram centralizar uma mensagem onde nós somos o centro das atenções. Por exemplo, quando Deus se apresenta a Moisés ele diz: ...Terei misericórdia de que EU QUISER ter misericórdia, e me compadecerei de quem EU QUISER me compadecer (Êxodo 33: 19, grifo meu). Se nós lermos todo o antigo testamento, com seus desdobramentos históricos, perceberemos que o homem nunca foi o tema central (ainda que fosse por meio dele que Deus se revelasse e a ele a quem se dirigia).
            Por exemplo em Isaías 43: 25 está escrito: Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.
            Mesmo o amor de Deus por Israel tinha por base não as expectativas da retribuição deles, mas sua própria vontade, seu próprio nome, conforme se revela em Ezequiel 14, quando Deus usa o profeta para revelar que cada ação sua, desde revelação, até a conservação do povo tinha por base sua própria vontade.
            Isso não exclui o amor de Deus por seu povo escolhido, mas delimita muito bem a questão da centralidade do amor de Deus. É sabido da igreja que Deus não reparte sua glória com ninguém (Isaías 48:11). Mas muitas vezes não entendemos que glória é simplesmente a demonstração de virtudes, desde riqueza (como a glória de Salomão, descrita por Jesus, em Mateus 6: 29) até mesmo o conhecimento (II Coríntios 4: 6). Sabendo que o amor de Deus é também glória de Deus, ainda que sua glória se estenda aos homens, precisamos entender que o inicio, meio e fim de todas as coisas é Deus, e não o homem (Romanos 11: 36).
            O segundo problema do uso da psicologia em cima de púlpitos, em aconselhamentos e ensino nas igrejas é a deturpação das escrituras. É possível sim alguém cometer heresia usando a bíblia, mas quando usamos artifícios não-bíblicos a abrangência destes se torna quase imperceptível. Mas essa imperceptibilidade possui o poder de ludibriar a muitos, pois se assemelham a alguma piedade, quando na verdade são argumentos humanos travestidos de justiça própria. A marca desta psicologia se encontra na busca do bem estar do homem, na sua própria paz, através de um autoconhecimento e busca de resposta em si mesmo, quando a Bíblia ensina que a verdadeira paz se encontrar em conhecer a Deus (João 16:33).
            Dentro de uma visão bíblica, fico com Pedro:
            Visto com, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que chamou para sua própria glória e virtude
II Pedro 1: 3.
            Eu não estou aqui fazendo a alusão de separatismo radical. Apenas chamo a atenção para um estudo e conhecimento mais minucioso daquilo que tem sido pregado e ensinado nas igrejas. Creio que toda e qualquer ferramenta usada nas igrejas precisa ser analisada a luz das escrituras. O apóstolo João ensina que não devemos crer em todo espírito (I João 4: 1). O original desta palavra, espírito, não engloba somente o mundo espiritual, mas também a disposição mental a qual se está inferindo à igreja.
            Se cremos que as escrituras são divinamente inspiradas, também estamos dizendo que não somente ela é digna de fé, como também possui o peso principal para todo e qualquer ensinamento.
            Por último: não contra o uso da psicologia, seja ela científica (neurociência, por exemplo) ou prática (como a psicologia comportamental). Sou contra a influencia destas em áreas conhecidamente espirituais, como a salvação, princípios reguladores de fé (em quem cremos, o que esperamos dessa fé, quais as doutrinas dessa fé). Sou contra técnicas psicologias manipulativas dentro de nossos cultos (coisas como o aperte a mão do seu irmão, que são técnicas indutivas de atenção) ou mesmo dentro das nossas mensagens, racionalizando questões que só podem ser entendidas pelos espirituais (I Coríntios 2: 6 a 15).
            Mais uma vez: não prego uma alienação à cultura, até porque Paulo ensina que devemos reter aquilo que é bom, saudável (I Tessalonicenses 5: 21). Mas este bem deve estar abalizado às escrituras (I Timóteo 3: 14 a 17). Sejamos sábios para o bem, e inocentes para o mal (Romanos 16: 19).
  
            

domingo, 2 de junho de 2013

Mente Cristã


            Um tempo atrás o nosso grupo de jovens fez uma camiseta. Para colocar na camiseta uma imagem, foi pedida a opinião de cada jovem, e eu indiquei a imagem à cima: um cérebro com um símbolo de peixe no centro. Para mim, era algo claro, pois sempre aprendi que o símbolo do peixe sempre foi associado ao cristianismo, desde seu primórdio.
            Mas uma coisa realmente me deixou triste e muito preocupado: fui escarnecido. Todos (todos os jovens) riram da minha ideia. “Tinha que ser de você mesmo!” Fiquei muito bravo, mesmo. Não por ser ridicularizado, mas por muitos cristãos novos não conhecerem a história da igreja. Isso é lamentável, e o que deveria ser motivo de vergonha, é algo normal. Em outras palavras, somos uma juventude sem identidade. Pelo menos não temos a identidade cristã que se prega.
            O que é uma identidade cristã? A palavra identidade, no sentido pessoal, significa o conjunto de ações, pensamentos e expressões de uma pessoa, ou grupo de pessoas. É uma marca, um modelo, estilo. Jovens que se vestem de uma determinada maneira, falam com gírias, tem preferências musicais gostam de serem identificados por esses gostos. É a identidade deles, a maneira como eles se apresentam ao mundo.
            O que seria ter uma identidade cristã? Em primeiro Coríntios encontramos em Paulo uma definição esclarecedora: Nós temos a mente de Cristo (I Coríntios 2: 16). Do texto original, significa que temos pensamentos, sentimentos e vontades como as de Cristo. Em Atos 11: 26 está descrito a primeira vez que as pessoas que professavam a fé em Cristo foram chamadas de cristãs.     
            Partindo destes princípios, eu pergunto: o que significa, de maneira real, ter pensamentos, sentimentos e vontades semelhantes a Cristo? Espiritualmente falando, é impossível uma pessoa naturalmente adquirir estas qualidades, virtudes. No próprio texto de Paulo na primeira carta aos Coríntios, é explicado que é impossível ao mundo, às pessoas que não creem em Cristo, compreenderem isso (I Coríntios 2: 14). Então, pensando desta maneira, eu não posso me classificar como cristão com os parâmetros do mundo, simplesmente porque eles são incompatíveis.
            É necessário nascer de novo (João 3: 1 a 8). Este novo nascimento significa morrer para o mundo, e viver para Deus (Romanos 6: 4 a 11). Paulo diz que a nossa vida anterior a fé em Cristo, chamada de velho homem, foi crucificada com Cristo, sendo substituída pela nova criatura (II Coríntios 5:17).
            Beleza. Creio em Cristo e tenho nova vida, sou uma nova criatura, tenho nova identidade...mas qual? O grande problema desta geração é que, por desconhecer as escrituras, o evangelho, pintam qualquer mudança como sendo característica desta nova identidade. Não há parâmetros senão o cool, o legal. Vamos fazer festas, jantas, reuniões, retiros, tudo isso para mostrarmos como somos novas criaturas, e para ninguém reclamar, vamos colocar tudo isso em nome de Jesus!
            Na epístola a Tito, Paulo diz o seguinte: Quanto aos moços (jovens), exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos (Tito 2: 6). Amados, que critérios têm definido a nossa cultura jovem cristã? Existe algum critério? Ou será que não temos moldado a mocidade cristã conforme os parâmetros do mundo?
            Ah, irmão, o importante é mudar de vida e dizer é que de Jesus! Não existe essa coisas de ser de Jesus, e sim estar Nele. Existe uma diferença abismal de ser de Jesus, e estar em Cristo. Todas as coisas, em última análise, são Dele (Romanos 11: 36; Filipenses 2: 9 a 11). Mas estar Nele significa conhecer e praticar seus mandamentos (há tantos versículos que recomendo ler a primeira epístola de João, para começar). Estar em Cristo significa, dentre outras coisas, ter uma vida agradável diante Dele. Eu não vou aqui enumerar ou dizer o que agrada a Deus. Convoco você, irmão ou irmã que esta lendo isso, a procurar, principalmente nos evangelhos e cartas dos apóstolos a procurar por essa resposta.
            Eu não sou contra retiros, congressos, jantas ou qualquer outra coisa que promova a união entre jovens. Sou contra dizer que isso é ser cristão. Um verdadeiro cristão baseia a sua vida na comunhão com Deus, através das escrituras, da oração, e da busca de uma vida piedosa.
            Isso não significa perfeição, mas uma vida humilde, quebrantada, de temor. Segundo o Dr. R.C. Sproul: de fato, quanto mais piedosos somos, quanto mais nos esforçamos para sermos dedicados, tanto mais dolorosamente cônscios de nossos pecados seremos.
            Precisamos de jovens piedosos, em vez de jovens com identidade própria. Piedade, amor, fé e perseverança sempre foram e sempre serão as marcas de um cristão, a verdadeira nova identidade evangélica (Mateus 10: 22; João 13: 35; II Pedro 1: 3 a 8).
           
           




Rap Bíblico

              Não sou muito fã de rap. Mas dada a situação dos hinos cantados hoje, sua pobreza bíblica e espiritualmente carnais, tenho me alegrado quando encontro músicas que valorizam mais as escrituras. Eis aqui um rap biblicamente correto, forte e extremamente prático. Aos que não gostam, respeito. Mas aos que amam as escrituras, é a letra é simplesmente maravilhosa. Veja, reflita e tire suas conclusões:



Recomendação: A Oração Muda as Coisas

       


            Finalizei agora a leitura de um livro simples, mas extremamente profundo: A Oração Muda as Coisas, do Dr. R.C. Sproul, pastor na igreja de Saint Andrew, em Sanford, (Flórida). O livro está em formato digital e está disponibilizado gratuitamente pela Editora Fiel para baixar.
            No livro, o doutor Sproul traz um estudo bastante cuidadoso e moderado sobre a oração eficaz: como orar de maneira saudável, equilibrada, madura, e que tipo de respostas devemos esperar de nossas orações. Ao contrário de muitos livros que já li, o pastor traz uma análise muito mais bíblica e prática da oração do que simplesmente instar ao leitor a pratica da oração.
            Um dos capítulos que mais me chamou a atenção foi A Prática da oração, onde ensina em forma de acróstico uma maneira pratica e bastante edificante como orar conforme o modelo de oração do Pai Nosso.
            Não espere um livro cheio de histórias extraordinárias e coisas absurdas. O pastor dá muito mais atenção àqueles que simplesmente querem aprender a orar para andar conforme a palavra de Deus, do que para os famosos caçadores da benção perdida. É um livro de leitura rápida (são pouco mais de cem páginas), mas aconselho a ler com uma bíblia. Também de fácil compreensão, por isso não espere por um esmero teológico.
            É um livro agradável, inteligente, e extremamente esclarecedor. Eu diria que é uma leitura altamente recomendada para aqueles que desejem aprender mais sobre oração, e acima de tudo, querem aprender sobre uma oração bíblica. Abaixo está o link. Apenas se inscreva na editora, com seu e-mail. Aliás, há muita coisa boa que a editora proporciona ao povo de Deus. Além de uma gama de livros variadas de ótimos teólogos e pastores, há muito conteúdo reformado, que vai desde Calvino a John Pipper. E muitos dos materiais estão a disposição para baixar gratuitamente.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Será que sou orgulhoso?

            Será que sou amante do orgulho? Será que, na minha busca pela vontade de Deus, não há uma parte de mim que apenas deseja ser usado para todos vejam e testemunhem que Deus está comigo, assim como esteve com José (Gêneses 39: 2)?
            Quando eu olho alguns anúncios, seja na internet, rádio ou televisão, mesmo em carros de propaganda ou cartazes, convidando as pessoas paras cultos, congressos, simpósios ou seminários em igrejas é comumente colocado o nome dos convidados e pregadores, e quando estes são famosos, lhes é dado proeminência, destaque. Mas lendo o texto de Lucas 5: 16, fico a pensar: Cristo faria isso?
            Ele, porém, se retirava para lugares solitários e ali orava.
            Não são poucas vezes que vi lideres e pastores ensinando a obreiros que a propaganda é arte do negócio, ou quem não é visto não é lembrado. Isto tem coerência no mundo dos negócios, no show business, mas no Reino de Deus, isso é válido?
            Sério, não estou querendo ser radical demais. Mas certas coisas são exageradas. Ainda mais quando vejo certos pregadores e cantores tomando para si uma glória que dizem ser eles “dadas a Deus”, mas comportando-se como verdadeiros astros, donos da festa. Quem nunca viu um pregador ou cantor chegar no meio do culto? Infelizmente, os cultos tem se tornado cada vez mais o centro da atenção da igreja. Sim, infelizmente. Vou tentar explicar meu ponto de vista.
            Todas as estratégias de muitas igrejas se concentram num ponto: o culto. O conjunto ensaia para o culto. Pregadores preparam um sermão, para o culto. E os crentes geralmente se preparam alguns minutos antes de começar o culto. Então, todos os pensamentos, intuitos dos fiéis se resumem àquele período, que varia de uma hora e meia a duas. Neste interim, elas tem que: orar, clamar, cantar, pedir, adorar, profetizar, receber dons, ser usados, ouvir a mensagem, receber a oração, ficar sabendo das atividades durante os dias seguintes e depois...continuar vivendo.
            Qual o problema disso: porque tudo o que acontece num culto é medido pelo que acontece no culto. Se um culto não é bom, o próximo tem que ser melhor, senão...Crente que falta culto de doutrina é...crente que não oferta no culto...crente que não chora no culto...que não ora...não adora, fica só de braços cruzados...que não glorifica...TUDO NO CULTO.
            Então, por consequência, quando alguém, de alguma forma, se destaca no culto, se torna centro das atenções. Talvez o carisma, fala bem, canta bem, talvez seja muito usado. Nossa cultura gospel diz que essa pessoa tem que ser honrada, porque Deus está com ela...Será? Biblicamente, o que significa que Deus está comigo?
            Será que não estamos nos tornando idólatras de cultos? CUMÉ? Nunca vi disso! É mesmo? Como será que eu meço minha vida espiritual? Pela minha fé em Deus, por minha meditação na sua palavra, na oração em secreto, na maneira como eu lido com minha família, amigos, ímpios? Pelo meu conteúdo de informação, seja na tevê, livro, internet? Sejamos sinceros, nós não costumamos medir a nossa vida espiritual por nossos cultos nos templos?
            Quantas pessoas eu já não ouvi que estão decepcionadas com Deus, com a igreja, porque não tem oportunidade, porque não são obreiras, porque não são ajudadas...Quantos irmãos são ensinados a se destacar, a buscar isso e usar os dons que o Espírito Santo deu como ferramenta? Quantas vezes eu murmurei num culto por causa do pregador, de quem dirigiu, de quem cantou e levei essa murmuração para casa, numa espécie de farisaísmo manso, santo?
            Quantas vezes nós medimos nossos pastores, obreiros, lideres, cantores por seu desempenho num culto? Ficamos tristes porque um irmão ou irmã não meu deu paz do Senhor? Ou que fui repreendido? Ou que me senti triste (num culto? Sim, isso acontece e muito)?
            Temo que esse seja o motivo de haverem tantos shows gospel tomarem o lugar do culto. O que no final é coerente, porque se nossos cultos se tornam nosso centro de atenção, nada melhor que adaptar o púlpito para um palco e chamar nosso culto de show, já que é exatamente isso que fazemos, medimos os outros!
            Então, lendo os evangelhos, vejo Cristo, pregando, curando ensinando, fazendo um culto. Porque ele não criou um templo? Porque ele, simplesmente, deixava de pregar em desertos e ruas, e montava uma tenda, ou alugava um prédio e ensinava? Eu não estou fazendo apologia antidenominacionalismo, ou contra templos, comunidades. Estou tentando afunilar tudo isso para um principio: o principal culto da minha vida é no meu coração, na minha mente.
            Em João 4: 19 a 24 se encontra um dos textos mais deturpados e mal entendidos do cristianismo atual. Muitos adoradores (todo crente salvo é adorador, não existe distinção) usam este texto para motivar o povo a adorar, o que na verdade é pretexto para cantarem seus hinos. Se lermos o texto e contexto, veremos que somente há um ensinamento: a cruz de Cristo.
            Antes, a verdadeira adoração, o único lugar onde era aceito o culto a Deus era no templo. Fora dele, existiam sinagogas onde era ensinado, mas culto, somente no templo. Se a pessoa pecasse, ela tinha que sacrificar um animal, templo, oferecendo expiação pelo pecado, mediado por um sacerdote. Haviam dias específicos para adorar no templo, havia um ritual, uma maneira, um jeito e um lugar.
            Mas quando Cristo morreu por nossos pecados o véu se rasgou. A partir daquele momento, toda pessoa que cresse em Cristo e confessasse, seria salvo (Romanos 10: 9). Mas não somente isso, ela seria o próprio templo do Espírito (I Coríntios 3: 16; 6: 19). Isso significa em todo lugar ela mesma seria sacrifício de Deus (Romanos 12: 1), e ela própria seria agradável diante de Deus (II Coríntios 2: 14; Efésios 5:2). Não há nada num culto de templo que já não exista no meu coração, na minha vida.
            Então, para que congregar, frequentar uma igreja? Primeiro porque eu não sou perfeito. Há coisas em mim que precisam continuamente ser trabalhadas, ensinadas, edificadas, muitas vezes preciso ser repreendido, exortado, preciso de oração dos outros. Em I Coríntios 12 Paulo fala extensivamente sobre isso, mas quero destacar um versículo:
            Para que não haja divisão no corpo, pelo contrário, cooperem os membros, com cuidado, em favor uns dos outros.
II Coríntios 12: 25
            No capítulo 14, verso 12 está escrito que eu devo progredir, não para ser honrado, crescer, ser próspero, rico, ilustre, mas para edificação da igreja, ou seja, dos meus irmãos.
            Amados, creio que precisamos fazer uma profunda revisão sobre a importância do culto, não para destituí-lo de sua importância, mas da sua direção. Talvez, assim, possamos realmente crescer, e não nos incharmos.
            Que você acha? Por favor comente, quer criticando minha visão (talvez eu esteja precisando de sua crítica) quer repartindo a sua. Isso é igreja. É assim que crescemos em Deus, em Cristo.
           

            

Que Preciso Fazer?


            O que eu preciso fazer para herdar a vida eterna?
            Esta é uma pergunta recorrente nos evangelhos, e já vi muitos pregadores usarem esta pergunta para levarem a muitos a crer que a salvação é conquistada. Na realidade, todas as vezes que um fariseu ou qualquer outro perguntava a Cristo o que era “necessário” para ser salvo Jesus propunha um desafio (o moço rico deixar suas riquezas, Mateus 19: 21), ou ensinava que essas pessoas precisavam até mesmo romper os limites do preconceito nacionalista ou religioso (Lucas 10: 25 a 37).
            Lendo alguns materiais na internet, seja por testemunhos, vídeos no youtube, ou mesmo estudos em blogs e sites evangélicos percebo que grande parte dos que se dizem crentes possuem um alto senso de justiça própria, isso é, gostam de se gabar de suas visões, pensamentos, atitudes, e de maneira perigosa levam uma mensagem centralizada na vontade humana.
            Quando encontramos nos evangelhos a resposta dessa pergunta, como herdar a vida eterna, sempre encontramos a mesma resposta: não depende de nós. Jesus disse que era impossível o homem salvar a si próprio através da sua vontade (Mateus 19: 25, 26). Isso não significa que o homem não precisa fazer nada, mas que tudo o que ele venha a fazer é por vontade de Deus (Filipenses 2: 13).
            Esse é um embate centenário, entre calvinistas e arminianos, sobre o peso da decisão do homem na salvação e operação contínua dela. Para os calvinistas, Deus elege e predestina, e faz o crente fiel perseverar na salvação. Para o arminianos a salvação é sinérgica, ou seja, é trabalho entre a vontade de Deus e decisão humana. Eu não quero entrar em méritos e deméritos, até porque o objetivo deste blog nunca foi trazer questões teológicas divergentes. O meu enfoque não é calvinista ou arminianista, é simplesmente trazer à consciência que o conhecimento da salvação só nos é possível porque Deus se revelou a nós em Cristo. Se você crê que a salvação pode ser perdida ou não é uma coisa. Agora que a graça e misericórdia foram reveladas somente por causa do amor de Deus, isso é inquestionável.
            Existe um grande perigo ao defender-se essa ou aquela posição quando nossas convicções baseiam-se apenas em questões periféricas. Deus me salvou e me tirou das drogas. Então, a experiência pela qual passei esta acima de qualquer outra revelação. Eu sou assim, fui salvo assim e se Deus não me mudou, quem pode mudar? Eu odeio religião porque ela só condena! Uma pessoa só é salva quando ela deixa de fazer isso ou aquilo; ela só pode ser batizada se...
            A minha convicção é que maneira pela qual Deus opera na salvação pode ser diferente entre uma pessoa e outra, mas o meio por qual ela é revelada e é continuamente edificada é mesma para todos, sejam calvinistas ou arminianista, sejam drogados, prostitutas, com depressão, homossexuais, pessoas comuns que nunca fizeram nada demais: somente pelo evangelho podemos conhecer o poder Deus (Romanos 1: 16).
            Só podemos ver transformações de vida se for pregado o evangelho. Não podemos dar uma lista, ou um conjunto de regras, passos ou atitudes que uma pessoa deve tomar para aceitar a Cristo. O pior e mais detestável evangelho que pode ser pregado é aquele que atende muitas demandas, sejam elas sociais, psicológicas, emocionais, físicas ou familiares. Porque, no final, isso não é evangelho. É boa ação, que por mais moralista que seja, baseia-se em no orgulho, na auto independência.
            Qual é o verdadeiro evangelho? Aquele que, por meio da cruz de Cristo, evidencia o pecado que há nós, nos trazendo à realidade divina, que estamos sob sua ira, sendo filhos da perdição, e que oferece, demonstrando o amor de Deus no seu Filho, a salvação, sendo que existem apenas duas atitudes: ou crer e ser salvo, ou não crer e ser condenado. Creio que nós, crentes, se estivermos mais preocupados e conhecer e viver este evangelho, do que criar métodos de mais pessoas fazerem para herdar a vida eterna, o poder do Espírito Santo seria muito mais evidente na nossa vida.

           
            

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pecados+Reconhecimento+Arrependimento = Deus

            O pecado, em si, me afasta de Deus (Isaías 59: 2). Mas é imprescindível que eu conheça meus pecados para me achegar diante de Deus (Tiago 4: 8, 9, 10). Essa dualidade da maneira como encaramos o pecado é decisivo para nosso amadurecimento e crescimento espiritual.
            Se olharmos para o Antigo Testamento, e repararmos na maneira como Deus tratava a Israel quando o povo se distanciava da sua lei perceberemos uma lógica aparentemente contraditória: Deus mostrava ao povo seus próprios pecados, suas transgressões e maldades. Deus tratava Israel com correção e sabia que era a lei, com suas bênçãos e maldições, que deveria pesar sobre o povo. Há dezenas de passagens onde o povo é conclamado a arrepender-se de seus pecados e voltar-se para Deus. Grandes partes do conteúdo dos livros proféticos tratam disso.
            Existe uma relação muito íntima da maneira como vemos o pecado e o sentimos como a nossa intimidade com Deus. Quando Isaías viu o Senhor no alto e sublime trono, a primeira reação do profeta não foi nada parecida com o que é pregado em muitos púlpitos e shows gospel hoje: não houve pulo, alegria ou dança; está mais para temor e profundo terror: Ai de mim, homem impuros lábios que habita no meio de um povo de lábios impuros (Isaías 6:5). Se quisermos realmente ser tocados, e não somente tocados, transformados por Deus, precisamos antes passar pelo processo de humilhação, não ante as afrontas e quedas, mas a humilhação de sabermos que somos pecadores diante de Deus Santo.
            O grande problema é que somente teremos conhecimento de nossos pecados, quando tivermos dois entendimentos, que não são alcançados de um dia para o outro, e menos ainda se concretiza na nossa vida carnal (creio que só teremos uma visão real disso quando morarmos com Ele): conhecermos Deus, seus atributos, seus pensamentos, seu modo de agir e suas obras e promessas e compararmos como somos descritos ao decorrer das escrituras. Veremos que essa visão triunfalista de muitos é baseada em pequenas passagens isoladas, que ainda que possam ser verídicas, passam longe da nossa natureza real: decaída, má, pecadora e carente da misericórdia de Deus.
            Você acha que é salvo por suas virtudes ou promessas? Acha realmente que Deus realmente viu em você alguma coisa? Irmãos, somos frutos das misericórdias de Deus. Quando eu vejo alguém se gabar de seus prodígios em cima de púlpitos, ou de como são isso ou aquilo, que tem bênçãos de Deus, minha pergunta é: será que ele conhece o meu Deus realmente? Porque homens como Paulo consideravam tudo o que tinham de mais valor como perda diante do conhecimento de Cristo. E o próprio Cristo tinha uma visão humilde, de que veio para servir. Dá-me ira quando muitos pregadores usam o Cristo Servidor como demonstração de nossa importância. Ele nos serviu para que fizéssemos o mesmo, e não para nos gabarmos de sermos servidos.
            Peço todos os dias que Deus, por intermédio de Cristo e pelo Espírito Santo me dê duas graças, acima de todas: humildade e que ele nunca me deixe me acostumar com meus pecados. Porque eu peco continuamente. E não digo isso simplesmente porque sei que sou pecador. Há circunstâncias e situações, coisas que faço conscientemente e sei que são pecados, que depois me trazem dor, vergonha. Não digo isso por vanglória. Falo porque que há muitos irmãos que são ensinados a ter vergonha do que não tem. Está se criando uma geração de crentes frustrados, não por serem derrotados, mas por serem sufocados por mensagens e pregações que mais trazem fardos pesados do que o fardo de Cristo.
            Irmãos, precisamos voltar a essência do evangelho. Uma vida baseada na piedade e não na carnalidade. Sim, precisamos dar frutos. Mas a que custo? E o maior fruto de um cristão, que lhe assegura a salvação não é o carro zero, a casa, e muito menos os frutos que muitos pastores pregam serem espirituais, mas geralmente partem de uma mentalidade quantitativamente econômica: o ganhar almas. Jesus disse que não vale a pena o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma. O verdadeiro fruto, o único que Jesus assegura a salvação é a perseverença. Mas o que perseverar até o fim será salvo. Veja o contexto de Mateus 24: 4 a 13.
            Leia a escrituras. Conheça a Deus, conheça os seus pecados e ore. Busque em Deus a misericórdia, para que ele nos entristeça conforme a sua vontade, para que possamos nos arrepender e nos voltar a Ele (II Coríntios 7: 10)
           

           

            

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Pecado habita em Mim


            O pecado habita em mim (Romanos 7: 17). Essa é uma verdade que todo cristão deve estar bem ciente, todos os dias. Ainda que no meu espírito sirva a Deus, na minha carne sirvo ao pecado (Romanos 7: 25). Esta é uma dualidade presente no homem, vem da nossa natureza e faz parte dela, intrinsecamente ligada às nossas emoções, desejos e atitudes. Nossa mente foi corrompida, já não temos a capacidade de fazermos o bem por nós mesmos (Romanos 7: 18,19). Isso nos leva a uma guerra constante, entre carne e espírito, vontade e o ato de realizar essa vontade. Estamos em guerra, permanentemente.
            Mas então, vem uma pergunta famosa: Se eu, segundo Paulo, estou livre do pecado (Romanos 6: 1 e 2), porque continuo a pratica-lo? Porque eu simplesmente não deixo de amar o pecado e passo a simplesmente ignorá-lo? Eu creio que crê, caso Cristo nos retirasse o desejo de pecar, é muito provável que nós simplesmente nos esqueceríamos dele. Olhe como os fariseus viviam. Cheios de orgulho pela sua santidade, sua vida piedosa, justa diante da lei e dos homens. Como está escrito em Lucas 18: 11,12:
            O fariseu, estando de pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto possuo.
            Eu não estou aqui fazendo um convite ao pecado (Romanos 6: 1, 2). A verdade é que o pecado que faz separação em mim e meu Deus (Isaías 59: 2) é mesmo que me quebranta quando me achego diante Dele. Muitas pessoas dizem serem pessoas quebrantadas, que possuem um coração contrito. Mas a minha pergunta é: pelo quê? Não são por seus problemas? Seus desejos que ainda não foram atendidos? Por promessas ainda não cumpridas? Sejamos sinceros: o que nos quebranta em oração e adoração a Deus?
            Se você está lendo isso deve estar pensando que sou muito justo, ou santo. Mas muito pelo contrário. Sou pecador. Vinte e quatros horas sintonizado nas ondas do pecado. Meus pensamentos, anseios, minha maneira de pensar e raciocinar e a maneira como me justifico pelas minhas práticas são pecado em si. Não porque não tenham boas intenções, ou porque não há um desejo de servir a Deus, mas porque, sempre que busco servir a Deus segundo o meu conselho, peco. Isso porque não tenho virtudes e qualidade suficientes para me aproximar daquele que é três vezes santo.
            Eu entendo hoje que minha santidade, aquilo que deixo de fazer ou faço em nome de santidade não é capaz de me aproximar de Deus. E isso dói. Me lembro daquele salmos: Quem entrará no monte santo? (Salmos 15: 1). Resposta: Aquele anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração (salmos 15: 2). Quem de nós pode se gabar de ser assim?
            E é aí que vem o problema: quantas vezes nos gloriamos por termos isso em Cristo sem entender a profundidade do nosso pecado diante de Deus? Nós não temos gratidão, e  se temos é pequena (Lucas 7: 47). Uma das grandes (para mim, a maior) obras do Espírito Santo é nos convencer do pecado. E é este convencimento que nos leva a Cristo. Não com sentimento de vanglória, de ganancia. Mas de gratidão, temor, misericórdia. E principalmente, amor. Ah, meu irmão ou irmã! Se tivesse a capacidade de sentir na nossa alma pelo menos um pouco do peso que é a ira de Deus sobre o pecado, talvez nos tornássemos menos insolentes diante da sua graça. E muito mais gratos por Cristo. E amaríamos mais, perdoaríamos mais, viveríamos de maneira muito mais abundante.
            Tenho um convite a fazer: leia as escrituras. Simplesmente leia. Ore a Deus que o Espírito Santo lhe dê um entendimento tal que você possa compreender como esta graça é poderosa. Estou cada vez mais convencido que o amor de Deus em Cristo por nós é uma resposta direta ao nosso pecado.

            Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações. Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. Tiago 4: 8, 9, 10.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Cristo, como Centro e não como meio



            Lendo as cartas paulinas vejo um conjunto de ideias e teologias, ensinos e encorajamentos muito mais baseados em ações, do que necessariamente coisas espirituais, digo, revelações que abrangem mais o mundo espiritual do que o carnal. Mas ainda que suas cartas revelem preocupações cotidianas e comuns, desde a maneira como se deve andar no mundo, como encarar o passado e a nova vida em Cristo, do casamento, da vida de solteiro, de obreiro, pode existir muitas linhas de raciocínios, mas todos eles levam a um ponto: Jesus Cristo.
            Uma igreja, uma vida cujo centro está em Cristo pode sim passar por altos e baixos. Paulo, em Filipenses 4: 11 a 13 fala que experimentou diversas situações e experiências, de honra ou humilhação, de abundância como escassez. Infelizmente, nossas igrejas tem ensinado um evangelho onde não se aceita tais coisas. É um tanto deplorável que, ao ler as escrituras, encontremos um evangelho tão claro quanto a vida, e encontrar em muitos lideres e pregadores que floreiam tudo, e mesmo o sofrimento, que deveria servir de amadurecimento, crescimento (Romanos 5: 3 a 5) é pregado como um meio de chegar aos objetivos, que vãos desde bênçãos financeiras a curas e milagres.
            A impressão que passamos a muitos é aquela que é vida por eles. Em Efésios 4: 17 a 19 Paulo diz que por causa da ignorância e dureza de coração os gentios se entregam a todo tipo de impureza. Ora, qual a cura para a ignorância senão o conhecimento, qual o antídoto para a dureza de coração senão o amor de Deus revelado no evangelho de Cristo? Mas se ouvirmos as pregações que são ministradas em muitos púlpitos veremos desde a severidade de um evangelho legalista a um bel prazer evangélico baseado em sentimentos, onde a experiência está acima de qualquer coisa, e objetivos desta vida são os alvos que todo cristão deve buscar. Está muito difícil ouvir mensagens onde o evangelho é simplesmente proclamado do que deturpado.
            O que é um evangelho deturpado? Um evangelho onde Cristo é apenas o meio. O princípio é minha vontade, e Cristo é meio pelo qual minhas vontades são satisfeitas. O problema é qualquer pessoa, mesmo não sendo cristã pode vir atrás disso. Cristo é luz, e luz faz duas coisas: brilha e manifesta as trevas. O que nosso evangelho tem apresentado é isso?
            Porque tanta ênfase na pregação? Porque a fé vem pelo ouvir a pregação, o evangelho. Paulo diz que aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação da cruz. Ninguém nunca vai ser salvo ouvindo ou cantando músicas. Sim, elas podem chamar a atenção de muitos, mas é vergonhoso estarmos vivendo numa geração onde o dom da pregação é taxado de chato, e é menosprezado. Não podemos nos esquecer que a salvação de Cristo é manifesta na obra do calvário, profetizado pela palavra de Deus. É o evangelho que é dito como poder de Deus.
            Amados, sejamos sinceros: o que temos ouvido nos púlpitos hoje é palavra de Deus, ou nossos desejos verbalizados por pregadores fracos, medrosos que tem medo de pregar uma palavra que vai além de nossas necessidades

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Amor de Deus



Deus me ama.
            Creio que a maior das certezas não chega nem aos pés dessa confiança que tenho nesse amor. Isto porque este amor não depende de mim. É um amor perfeito, maduro, um amor tão grande e profundo que, ao me deparar com ele, nada posso fazer mais nada senão render graças e me humilhar diante do meu Deus.
            Aquele que não poupou bem seu próprio filho, antes, o entregou por nós, também não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem o porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que em está em Cristo Jesus, nosso Senhor
Romanos 8: 32, 35, 38, 39.
            Como tenho tanta certeza? Qual a prova disso?
            Mas Deus prova sem amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, nós sendo ainda pecadores.
Romanos 5: 8
            Mas no que consiste esse amor?
            Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação por nossos pecados.
I João 4: 10
            Mas como posso crer? Como ter certeza de que esse amor é para mim? Eu faço tantas coisas erradas! Eu peco e muito! Eu não consigo fazer a vontade dele sempre! Eu não consigo! Como Deus pode me amar sendo assim?
            Mas Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
            João 3:16
            Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento.
            Lucas 5: 32
            Mas eu não consigo amar a Deus como ele me amou!
            ...O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
            Romanos 5: 5
            Eu (Jesus) lhes fiz conheceu o teu nome e ainda o farei conhecer, afim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu esteja neles.
            João 17: 26 (Parêntese meu).
            Sejamos francos: não há amor maior! Cristo me amou na cruz (Hebreus 2: 9). Este amor me capacita a amar. Este amor me dá coragem (I João 4: 18).
            Sim, Deus me ama. E irmão ou irmã que lê este post, nunca se esqueça: a maior prova do amor de Deus por você derramou sangue numa cruz, morreu e ressuscitou ao terceiro dia. Este amor ainda vive e um dia, (GLÓRIA A DEUS!) veremos o amado face a face, juntos, na glória, eternamente!
Amém!

           

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Evangelho não é cabo de guerra



            Evangelho não é cabo de guerra.
            Esta frase pode parecer meio sem sentido para quem não acompanha as noticias do “mundo gospel” no Brasil e no mundo, mas é um bom argumento diante de certas questões cotidianas da nossa vida. A verdade é que as boas novas de Cristo é ao mesmo tempo, tão simples, mas tão complexa, que ela se torna um verdadeiro catalizador de argumentos extremistas.
            Quero dizer: o evangelho tanto oferece texto para legalistas religiosos com para libertinos cristãos. E é interessante como ambos os grupos sempre usam os mesmos versículos para se defenderem. Os que defendem um legalismo rígido citam versículos a cerca de santidade, de renúncia, de luta contra a natureza carnal, enquanto os libertinos falam de liberdade, de adoração, de graça.
            Mas o pior mesmo é quando tudo descamba para a pura superficialidade, onde Jesus se torna apenas um nome, alguém que assina em baixo nossas convicções e ideias. Frases com “Em nome de Jesus” ou “tá amarrado”, ou mesmo “declare em nome de Jesus” fazem parte de nosso folclore pentecostal, e muitas vezes está acima de qualquer ressalva. Creio que se lêssemos a bíblia, principalmente o Novo Testamento, e o entendêssemos de forma conjunta, orgânica, sem extremismos, apenas interpretando o que o texto que dizer e não o que queremos o que ele fale, é muito provável que mega-igrejas nunca existissem, o constrangimento de petições de ofertas (oferta é oferta, vem de contribuição espontânea) e mesmo a sina que muitos pastores levam hoje, de que são ladrões que se aproveitam da fé de muitos, e de evangélicos cheios de convicções mas sem nenhuma estrutura bíblica, não seriam tão comuns como hoje são.
            O evangelho é simples: creia em Jesus, creia que ele nasceu como homem mesmo sendo Deus, gerado pelo Espírito Santo e nascido de uma linhagem davídica, viveu durante trinta anos no anonimato, e aos trinta, revelou-se como o cordeiro de Deus. Curou, pregou, expulsou demônios, condenou as trevas, trouxe luz e tinha uma mensagem central: o amor de Deus. Não um amor legalista, a base de obras e merecimentos, mas não também um amor libertino, sem um ensino e mandamentos. Um amor gerado por Deus e trabalhado e concluído por Cristo no calvário, onde ele morreu por nossos pecados, levando consigo nossa culpa e dívida que era contra nós, e ressuscitando ao terceiro dia, glorificado por Deus e exaltado nas alturas, de onde enviou o Consolador, o que habita naqueles que creem nele, e que diariamente nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Este Espírito no habilita a termos uma vida com Deus por meio de Cristo, de tal forma, que libertados do poder do pecados, estamos mortos ao seu reinado, e vivos para Deus, mediante a fé em Cristo. E esta vida não nos deixa imunes a dificuldades oriundas da vida normal: estamos a mercê de doenças, problemas, angustias, medos, temores, perseguições, morte. O crente que nega isso, em favor de uma pretenso senso moral de “só vitória” está se esquecendo que estes problemas e dificuldades, que para outros é só tristeza, para nós é motivo de alegria. Não por sermos masoquistas. Mas porque são em situações de extrema necessidade que Cristo nos consola, fortalece, orienta, ensina e principalmente opera.
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo.” II Corintios 1:3-5
Amados, o evangelho é simples. O que precisamos nos perguntar é: porque fazer dele motivo de discussão e discórdia quando seu poder reside na nossa pratica dele? (João 13: 15, 17)

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O que semeia...



            Deus é misericordioso. Deus é bom. Ele é paciente. Ele perdoa pecados. Justifica. Lava. Regenera. Adota-nos em Cristo. Nos chama para sermos seus. Dirige e nos orienta. Consola e ajuda. Dá bênçãos. Derrama da sua graça e favor, mesmo que não mereçamos. Deus é tudo isso e muito, muito mais. Mas nos esquecemos que ele também é justo.
            Existe uma coisa, um ensinamento chamado de justificação, que é o que Cristo faz quando alguém crê nele. Nossos pecados são perdoados, somos lavados. mas também somos justificados, ou seja, a justiça de Cristo é imputada, colocada em nossa conta (Romanos 3: 22). Essa justiça nos dá acesso a Deus. Entenda, sem ela nunca poderíamos nos achegar a Deus, porque, ainda que nossos pecados fossem perdoados, ainda assim estaríamos em débito com Deus.
            Mas não quero falar sobre a justificação em si. Quero trazer a lembrança algo que eu me esqueço muitas vezes, e acho que muitos esquecem: ainda que requeiramos muitas coisas de Deus, existem coisas que ele não precisa nos dar de forma miraculosa. Digo, o perdão, a sua justiça, são coisas miraculosas. Mas a maneira como tratamos cada benção, capacidade, entendimentos, dom, depende exclusivamente da maneira como eu procedo.
            Vejamos o que Paulo fala aos Gálatas no capítulo 6, versos 7 e 8: Paulo está ensinando uma verdade imutável: ninguém cai por nada. Sim, Deus é bondoso, benigno, misericordioso, mas não é tolo. Se, dentro daquilo que Deus meu deu, eu semear alguma coisa isso irei colher! Se semear uma vida espiritual baseada na minha carne, a única coisa que vou colher é corrupção. Eu não posso semear sentimentos egoístas, atitudes maldosas, rancorosas, invejas, contendas, e esperar algo espiritual disso. Eu não posso esperar que Deus vá ter um relacionamento comigo se meu relacionamento com ele se baseia no que eu quero, sem buscar um conhecimento real da vontade dele.
            Um grande problema que sempre enfrentei foi o seguinte: quando vou aos cultos, sempre ouço frases do tipo: Deus não quer ter ver sofrer, ter problemas, ter falta de dinheiro, Ele quer te dar o melhor da terra! Busque-o e ele te dará! Então, dentro das igrejas, o “buscar” se baseia somente nos cultos, no ofertar, na musica, e naquilo que o líder nos motiva a fazer. Mas no fundo não estou fazendo a vontade Dele, e sim a minha. Quando desejo simplesmente alcançar as bênçãos de Deus, isso quer dizer necessariamente: Senhor, o que eu preciso fazer para ter o que eu quero?
            Isso é semear na carne. Então muitos podem dizer: mas a palavra de Deus diz que ele quer nos fazer felizes, prósperos! Sério, onde diz exatamente isso? Sim, há muitos versículos que falam das bênçãos de Deus, e como Ele não é “mesquinho” em dá-las. Pense na seguinte questão: o que é maior, a benção ou Deus?
            Sei que muito dirão que é Deus. Podem até falar de forma automática. Mas o fato é que quem diz isso está simplesmente concordando com a questão do semear a carne. Porque não existe diferença entre Deus e benção, pois ele é o nosso tesouro, é a ele que devemos buscar! Vejamos o que Paulo diz:
            “E na verdade tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Pelo qual também sofri a perda de todas estas coisas, e as considero com escória, para que possa ganhar a Cristo.” (Filipenses 3:8).
            Com é que se ganha a Cristo? Através do seu conhecimento. E qual a finalidade deste conhecimento? Porque Deus amou o mundo de mal maneira que deu seu filho Unigenito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. E a vida eterna é esta: Que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviastes. João 3: 16; 17:3.
            A questão é essa, e só essa: Cristo não veio por outro motivo senão revelar, demonstrar, levar todos aos que nele creem a Deus. Deus é a finalidade. Não é às bênçãos de Deus, mas a Deus. O fato é que, quando separamos as bênçãos de Deus dele, estamos moldando nosso próprio deus segundo a nossa carne.
            O que quero dizer com isso? Enquanto eu semear minha vida numa eterna busca por tesouros, sucesso, fama, realização pessoal, mesmo que estas mesmas possam ser realizadas por Deus, estarei me corrompendo. Motivo: estou semeando carne.
            Então vem a pergunta: é possível dar essas coisas para um crente mesmo que ele esteja se corrompendo? Sim. Base:
Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações. Jeremias 17:10.
Nossa geração tem seguido um caminho pelo qual a bênçãos de Deus são maiores do que Ele próprio. Deus então dá. Se ele é bom para com os bons e maus, porque seria diferente conosco? (Lucas 6: 35).
Esse é problema das bênçãos de Deus serem parâmetros para muitos cristãos hoje: elas nãos significam nada. Mas quando minha vida se dirige a um ponto, onde, independente das circunstancias, minha busca é Cristo, ou seja, ser parecido com ele, aí sim, estarei semeando no Espírito. Base: Quando se semeia, se espera frutos, não é mesmo? Vejamos:
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Gálatas 5: 22
Porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça e verdade. Efésios 5: 9.
O interessante notar é Paulo não fala de frutos, mas de um fruto. Ou seja: Paulo fala de que o semeia no Espírito terá como fruto o caráter de Deus, que é a maior prova que um crente pode ter de que ele tem andado com Deus.

           
            

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Inimigos da Cruz



            Paulo, ao escrever aos Filipenses demonstrou imensa preocupação a um povo que deseja realmente servir a Cristo; contudo, havia no meio deles, alguns que o apóstolo chamou de inimigos da cruz. Quem eram eles? Em Filipenses 3: 18, 19 eles são descritos da seguinte forma: o deus deles é seu ventre, e a glória deles é a infâmia e se preocupam com coisas terrenas.
            Existem dois pontos que precisamos definir antes de continuar: o primeiro é que Paulo falava de crentes. Os ímpios, ou descrentes, não são inimigos da cruz, mas sim de Deus, grupo a qual parte fazíamos antes (Romanos 5: 10). Paulo também chamou de inimigos do evangelho o próprio povo de Israel, ainda que eleitos de Deus (Romanos 11: 26, 27, 28). Isso é apoiado pelo contexto do versículo: sede meus imitadores...existem muitos que, pela sua maneira de viver...(Filipenses  3: 17, 18). Então, os inimigos da cruz são alguns que confessavam a Cristo, mas por sua maneira de viver, se tornaram inimigos da cruz. Para isso, Paulo explana três características, que não parecem serem pontos isolados, mas intimamente ligados.
            O deus deles é o ventre: a palavra ventre aqui tem um sentido figurado; do texto grego original  koilia se refere realmente a barriga, abdômen, mas figurava o coração, o interior do homem. Essa é a mesma palavra usada em João 7: 38: quem crer em mim, como diz a escritura, do seu interior (koilia) fluirá rios de água viva. Aqui cabe a parte interpretativa, e dentro dessa, vemos que o sentido original é: o deus deles são seus sentimentos e desejos.
            Mas então temos um problema: todo cristão, naturalmente, ainda que novo nascido, possui estes desejos e sentimentos. Paulo fala disso em Romanos, ao descrever nossa luta contra natureza, nossa carne (Romanos 7: 14 a 21). Somos crentes carnais porque ainda habitamos nesta carne, ainda que pelo nosso espírito desejemos servir a Deus. A diferença é que, os inimigos da cruz, preferem servir a sua carne em detrimento ao evangelho. Significa que são crentes que usam da cruz de Cristo para fins próprios, onde suas satisfações se realizadas por eles mesmos e não na cruz. Paulo, em Romanos e Colossenses, ensina a cristãos que lutam contra sua carne a mortificando (Romanos 8: 13; Colossenses 3: 5 a10).
            O problema é que eles ainda amavam o pecado. A glória deles era o infâmia. Provavelmente eram crentes que se orgulhavam de quem eram ou foram. Significa que eram crentes que lembravam da sua vida vergonhosa antes e contavam vantagens delas como se fossem orgulho. Ainda que fossem crentes, cressem em Cristo, não entendiam que precisavam viver uma vida diferente da que viviam antes (Filipenses 3: 14; Romanos 6: 10,11).
            E o terceiro problema era que tinham sua vida centrada com as coisas terrenas. Temos que entender que ainda que vivamos na terra, nossa visão não é a mesma dos ímpios (Mateus 6: 19, 20, 21, 24 a 34). Paulo sempre aconselhou que os cristãos buscam a Deus em Cristo (Colossenses 3: 1; Filipenses 4: 8). Paulo tinham plena convicção de que tudo o que os crentes precisavam estava em Cristo, e é por isso que versos antes dissera que considerava tudo aquilo que humanamente era honrável como perda a fim de ganhar o conhecimento de Cristo.
            Resumidamente, eram crentes, que participavam dos cultos, faziam parte da membresia, mas negavam a eficácia da cruz a tratando somente como uma religião qualquer pagã. Filipos era uma cidade colonizada por Romanos, e idolatrava deuses como Juno, Júpiter e Marte, mas principalmente por deuses trácios, povo que segundo Flavio Josefo, vinham da linhagem de Jafé, um dos filhos de Noé. Apenas uma curiosidade, mas que demonstra que a cidade possui fortes influencias pagãs.
            Ainda que a carta ao Filipenses seja pequena e de caráter mais pastoral do que doutrinário, encontramos neste contexto um grupo que era tão diferente que Paulo usou essa expressão, inimigos da cruz, para nominá-los. Paulo aprimora a nomenclatura, ao falar de tempos trabalhosos, onde muitos serão mais amigos de deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade mas negando sua eficácia (II Timóteo 3: 1 a 5).
            Mas hoje, quem são os inimigos da cruz?
            Fazendo um pequeno panorama, posso dizer que, contextualizando o momento pelo qual a igreja passa e pelas características pelas quais Paulo cita, são crentes nominais, que frequentam igrejas, até se batizam, mas que, ainda que aceitem a mensagem da cruz, usam dela para fins próprios. Infelizmente, muito da teologia da confissão positiva e de prosperidade contribui para estes tipos de crentes. São pessoas que seguem o evangelho, mas seus princípios são mundanos, ímpios.
            É muito difícil expor alguns textos bíblicos e não fazer uma comparação sobre os ensinamentos de Paulo e outros apóstolos sobre heresias dentro da própria igreja. No próximo post, vou trazer algumas características, na verdade, princípios pelos quais se define um crente fiel, de um inimigo da cruz
            Paz de Cristo.